sábado, 21 de janeiro de 2012
Definição.
Então, depois de algum tempo a vida parece lentamente, como folhas secas de outono caindo ao chão, se posicionar novamente no lugar onde de nunca deveria ter saído. E daqui sim, posso ver novos horizontes, me dou conta de que existem novas escolhas. A névoa que sempre encobriu meu futuro se dissipou e é tão bom saber que consegui enfrentar tudo o que já passou, e a partir de agora construir tudo novo, com um sorriso no rosto, sabendo que estou mais segura do que nunca. Meus olhos demonstram isso de uma maneira incrivelmente perfeita, se movem nas direções necessárias. Se espelham nos meus desejos secretos, nos meus desejos de alma mais profundos e talvez nas minhas aspirações de um futuro (não tão) incerto. Essa sensação é tão boa que é capaz de preencher todas as lacunas que durante certo tempo foram sendo deixadas e carregadas comigo. E eu realmente não sei como pode ser melhor do que isso, sigo em frente, complementamente destemida. Acho que na verdade meu único medo é não ter a certeza que eu fui até o final. Carregar as incertezas da vida, dói muito mais fundo do que qualquer coisa concreta, que se faz lembrança, que se faz momento passado, que se faz um filme que se passa na cabeça. É sempre melhor carregar pro futuro coisas definidas, ainda que incompletas, e é nessa busca que seguirei, tropeçando, caindo, me reeguendo, mas firme, sem querer virar as costas, pra nada.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Seguindo.
De repente, me encontro num lugar que nunca estive antes, sem nem ao menos me dar conta de como cheguei aqui. Tudo aconteceu tão rápido, é escuro, sombrio, totalmente diferente dos outros ambientes que já conheci e nele eu vivo momentos completamente distintos de qualquer coisa que já posso ter vivenciado. Sinto um pouco de medo de permanecer, são coisas tão novas, sentimentos que fazem tudo parecer doer. E dói, dói muito, como nunca doeu antes, mas é uma dor renovada sabe? Uma dor que ao mesmo tempo me faz querer continuar e não sair daqui nunca mais, pois se essa não fosse uma das minhas únicas certezas eu não haveria chegado onde estou. Não sei se sou capaz de descrever como é, mas é mais ou menos como se pequenos grãos de sal caíssem dentro dos ferimentos que acumulei em minha caminhada, na hora que eles entram em contato com a camada da pele, arde bastante, mas sal tem poder curativo, e com o tempo esses pequenos cortes vão se transformando em cicatrizes, que podem até sumir. E e então só me restará lembrar que algum dia elas estiveram ali, e por vezes, como apareceram e foram embora. Me sinto extremamente frágil, como se em qualquer momento eu fosse me desfazer em mínimos pedaços de mim, pedaços que eu posso colar, mas sem conseguir esconder a falha do lugar que foi quebrado. No ínicio a gente fica tão vulverável, como se caminhasse em uma corda bamba com o vento batendo, dá aquela insegurança, um medo de cair, mas depois, no meio do caminho já é possível seguir em frente sem olhar pra baixo. É tão difícil saber ao certo o que pensar, o que dizer, como demonstrar, como continuar e principalmente como não errar para fazer tudo dar certo, porque eu quero que dê certo. E então aqui estou, depois de algum tempo, cheguei ao único lugar que me resta, o lugar que me faz saber que minha única verdade é o que eu sinto, e isso eu não posso mudar, só posso continuar aqui, sentindo. Metade de mim sem saber o que é, em dúvida e metade sabendo, ainda que um pouco confusa. A vida é feita de escolhas e eu não posso simplesmente jogar meus dados para saber o futuro, e então a partir dele, tomar as decisões certas. Ainda que tudo me leve pro lado contrário e me faça querer dar meia volta aos poucos e olhar pra trás, nada me afasta da minha vontade de continuar, ainda que doa e que me deixe totalmente desprotegida, é ela que se sobrepõe a qualquer outra coisa.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Momento de fuga.
Triste por estar aqui. Mais triste ainda pela certeza. Certeza essa que me corrói. Certeza que me mata ao saber que não te fiz sentir exatamente do mesmo jeito que você me fez. Sempre pareceu algo tão fora do meu controle. Na verdade o verbo amar sempre pareceu estar fora do meu dicionário, talvez seja uma palavra fantasma que me assombra. O tempo será capaz de colocar tudo que está bagunçado dentro de mim em seu devido lugar, não sei quando será, preciso esperar...Me restaram mãos e olhos atados e um coração frágil, sem forças, despedaçado. Sou resultado desse mundo um pouco cruel, mundo que as pessoas simplesmente não dão valor à tudo de mais precioso que possuem, mundo de pessoas frias e impiedosas, mundo que eu reluto em pertencer. Preciso me lembrar de esquecer, preciso fingir que nada aconteceu, seria melhor, definitivamente. Preciso de tempo, preciso de muito tempo. No momento não é tempo nem pra esquecer, só pra diluir e em seguida aceitar, depois quem sabe esquecer. As lembranças passam pela minha cabeça como um filme, como se estivessem acontecendo hoje, como se o tempo estivesse voltando. Os dias tem terminado tão rapidamente que tudo parece estar mudando, mas não muda. As vezes eu acho que minha vida é um filme, só que simplesmente não posso modificar nada, não posso atrasar ou repetir as cenas. E em alguns segundos vejo tudo se distanciar das minhas vontades, o mundo cresce e ameaça meus sentimentos de uma forma tão bruta que eu já nem consigo mais proteger meu coração. Meses já se passaram e o tempo distorce sentimentos e me leva à acontecimentos tão distantes que quando me dou conta do que está acontecendo comigo parece que já não tem mais volta. Me estagnei num momento que já não reconheço mais, é como se todos os caminhos me levassem à um só destino. Por mais que eu tente me desviar e lutar para seguir em outra direção, no final sempre acabo no mesmo lugar. Eu preciso admitir e aceitar meu medo antes que ele me destrua em míseros cacos que serão impossíveis de colar, cacos que não me completam mais, sou incompleta e abstrata, sou inexata. Não há necessidade de fugir, quero me encontrar, preciso me encontrar, sou uma confusão, uma bagunça de sentimentos, sou imprevisível, quero tudo, depois já não sei, mas quando consigo nada mais importa. Existem quatro paredes que me mantém isolada do mundo, mundo que eu vejo sem cor, mundo que não me pertence, mundo que me faz carregar um coração frio no peito, eu já não sou mais sou dele, ele já não é mais meu, está descolorido e frágil, totalmente frágil, está cedendo diante de meus olhos, derrapa com facilidade. Preciso me jogar, preciso voar, suplico por isso, quero ver tudo de outra perspectiva, quero sair, quero fugir, não quero olhar pra trás, nunca mais quero olhar pra trás. Não quero arrependimentos, não preciso deles, não são meus, não me pertencem, são do mundo, assim como eu sou, um mundo que não é meu, o mundo que cedeu, que despencou, aquele que aos poucos me matou, me transformou. Tentei não sair do lugar, supliquei, clamei, ninguém percebeu, corri, sumi, ninguém viu. Eu já não posso mudar mais nada, mas meu desejo era poder parar tudo agora, exatamente agora, pois depois de tudo me resta única dúvida, será que hoje você mudaria seu rumo e me acompanharia?
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Como gelo e fogo.
Me movimentei lentamente esperando que meus olhos abrissem e eu pudesse ver a realidade que almejava. Tudo em vão. A claridade feria minhas retinas, assim como estava meu coração. Eu não podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Por mais que eu já estivesse recuperada da nossa separação eu podia sentir que nossa ligação era indestrutível. O sol se colocava atrás das nuvens em uma posição quase perfeita. Um tom rosa claro iluminou-as e meus olhos mais uma vez desejaram se fechar para tentar pensar. Foi isso que eu fiz. O barulho do mar tentava em vão me acalmar. Eu sentia a calmaria, mas ao mesmo tempo sentia tantas coisas diferentes, que era impossível separar tais sensações. Minha respiração começou a se alternar entre rápida e lenta e depois de instantes percebi que sem o mínimo esforço, lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto. Eu não queria imaginar, é muito ardúo reter e diluir essa informação. Por isso não uso a palavra aceitar, pois aceitar é impossível. Nós sempre pensamos que as coisas ruins vão acontecer com pessoas que nunca fizeram parte das nossas vidas. E de uma hora pra outra, quando você menos espera, descobre sem querer que uma pessoa que já fez parte da sua vida pode de uma hora pra outra, não acordar. O vento começou a bagunçar meus cabelos e por isso fui obrigada a abrir os olhos. Busquei dentro da bolsa um elástico e consegui prender depois de algum tempo lutando contra os fios. Depois de alguns segundos percebi que meu rosto estava sendo molhado por gotas, e não eram apenas minhas lágrimas, pingos de chuva quentes me molhavam. Senti uma sensação esquisita, era como se aquela água estivesse da lavando minha alma qualquer tipo de ressentimento. Todos os tipos de dores que eu já havia sentido e todos os momentos ruins. Eu tentei me desligar de tudo referente ao meu passado, mas quando eu digo que todos os acontecimentos caminham para que isso não aconteça, eu não estou mentindo. É uma das únicas verdades que eu conheço até esse momento. E a única certeza é que por mais que duas pessoas completamente diferentes se envolvam, elas sempre serão como imãs que se repelem totalmente ou se atraem. Seguirei vivendo sabendo que no final tudo dará certo e que as coisas vão se encaixar e se transformar para melhor. Tudo faz parte de um aprendizado, que posso não entender o motivo agora, mas no futuro, com certeza as respostas vão se colocar diante de mim. O pior sempre passa e um novo dia melhor chega. E qual seria a graça da vida se nós não tivessemos dias e acontecimentos ruins? Seria impossível valorizar os simples e bons. E para isso hoje estou aqui, me livrando das amarras do passado, mas sem esquecer tudo e deixar para trás. Não há melhor jeito de fazer isso do que tentando recomeçar algo que ficou para trás. Farei isso da melhor maneira possível e tentando não ter arrependimentos, ainda que essa possa ser a maior ironia da minha vida, pois sei que sempre seremos sempre tão semelhantes como gelo e fogo.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Seguindo assim...
Me encontrei e me perdi no mesmo lugar. Incontáveis vezes. E ainda sigo me perdendo...sabe quando você se encontra em um labirinto com diversas saídas e não sabe qual delas te levará ao destino que você quer? Então...aqui estou. Pode soar até um pouco engraçado mas sou daquelas pessoas que precisa fazer a mesma coisa infinitas vezes até se dar por vencida, insisto até o ultimo minuto. Insisto até que todas as forças que me mantém viva se esvaiam de tudo o que sempre julguei ser mais profundo. Sabe o que eu acho? Eu acho que não sei mais de nada. Os caminhos que me trouxeram até aqui são confusos demais. Não queria te deixar ir, mas já não resta outro jeito, preciso me salvar antes que seja tarde. Sempre foi tarde, e essa palavra diz muito sobre mim. Já passou do tempo, já foi e por aí continuará indo. A pior decepção é se decepcionar com as pessoas que você acha que conhece. Não é uma dor superficial que até semana que vem já vai ter passado. É dor funda, que martiriza, corta e vai sendo carregada com você desde o abrir dos olhos até o adormecer, até que outra dor mais forte venha e carregue essa do centro das atenções. E assim as decepções vem e vão. Doendo menos, doendo mais. Carregando os sentimentos bons e os ruins, tomando conta mesmo, dilacerando pedaços do meu ser e esmigalhando tudo o que já fui capaz de construir...
Aqui vai o medo.
Tudo aconteceu tão rapidamente. Caí. Qualquer resquício de sobriedade que me restava, com uma simples piscada de olhos, desapareceu. Cansei de seguir em linha reta. Caminhos conturbados podem parecer muito mais extasiantes. Perguntas sem respostas me movimentam muito mais. Porém eu acho que cansei de fingir que tudo parece estar certo. Nada está. Não vou negar que me sinto bem comigo como nunca me senti. Mas sabe quando seu inconsciente ainda insiste em tentar te derrubar? A batalha que me mantém lutando arduamente é aquela que possui a solidão como pior castigo. Estou frágil. Frágil e sozinha. Com medo. Medo da escuridão. Medo do silêncio. Ainda que tudo caminhe bem, eu odeio me sentir completamente sozinha. Algo me falta. Precisava escrever alguma coisa, ainda que seja só pra amontoar palavras sem sentido no mesmo lugar. Uma das minhas piores frustrações é só saber escrever sobre a mesma coisa. Óbvio. Eu tento lutar contra isso. Não dá. Me angustia. Me tira o fôlego. Me mantém refém. Refém de mim e dos meus desejos. Refém das minhas concepções loucas de felicidade. Preciso voltar a acreditar em todos os sonhos que já abandonei. Meu mundo não pode mais girar em torno de recordações. Antes que seja tarde. Tarde demais.
sábado, 16 de julho de 2011
outra vez, talvez
Ainda que o mundo dê voltas, eu sigo aqui, esperando. São tempestades, furacões e ressacas poderosas que me domam, mas eu sigo aqui. Ainda que me derrubem, eu consigo me reerguer com uma firmeza muito maior, e sigo aqui, esperando. Espero que me quebrem em pedaços de novo para que eu possa colar cada um dos meus cacos. Espero que me pisem mais forte a cada vez para que eu possa me levantar com mais sabedoria. Espero que me deixem de lado para que eu consiga aprender a ver e a multiplicar o valor que eu tenho. Espero que me magoem para que eu possa passar uma borracha e continuar caminhando em frente. Espero e continuo esperando. Do mesmo jeito que esperava antes, sem guardar um pingo de rancor, de braços abertos, até que tudo se repita de novo.
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